sexta-feira, 5 de março de 2010

COMPREENDENDO BEATLES...


Nada acontece por acaso. Muitos fatos históricos relevantes são resultados da conjunção de momentos anteriores que vão se somando até que se crie uma ocasião propícia para que algo exploda de forma previsível ou não.
A necessidade humana sempre acaba nos levando a algo assombroso. A história está cheia de exemplos bons e maus... Foi assim com a Revolução Francesa em 1799 que mudou a cara do mundo ao proclamar os princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” baseada na Independência dos EEUU em 1776, ou o nazi-fascismo na década de 1930, conjunção de várias ideologias na Alemanha pós 1ª guerra, que vinha de uma grande depressão... A revolução industrial, um conjunto de inovações tecnológicas que se iniciou na Inglaterra no século XVIII e se expandiu a partir do século XIX... E por aí vai...
Na música é sempre assim também.
A nossa geração foi preparada durante anos para receber alguma coisa como Beatles (ainda bem...).
Não falo somente do óbvio: o bom e velho Rock’n Roll. Isso é claro e evidente. Sem Chuck Berry, Elvis Presley, Carl Perkins, Little Richards, Bill Halley e seus Cometas, Fats Domino, Jerry Lee Lewis, Neil Sedaka, Cliff Richards, Buddy Holly, The Shadows, The Ventures e cia, o que seria da Beatlemania? Isso é o óbvio “ululante”, como diria Nelson Rodrigues...
A grande maioria das pessoas que não viveu aqueles dias e hoje gosta dos Beatles, na verdade não tem idéia das grandes diferenças entre os seus álbuns porque já recebeu o “pacote” completo desde os primeiros sucessos de consumo imediato que nos pegaram de surpresa como um rolo compressor logo no início da carreira, até os álbuns mais complexos da sua brilhante carreira.
Fica difícil dimensionar o impacto de cada novo lançamento na nossa geração. Nós esperávamos ansiosamente pelo novo sucesso dos nossos ídolos. Novo mesmo! Nada, nunca era igual ao que fora lançado anteriormente. A ponto de algumas vezes até não reconhecermos uma nova obra como sendo de interpretação deles mesmos. Não seria outra nova banda? Que negócio é esse de arranjos clássicos misturados com rock? E as cítaras indianas? E os metais, trumpetes, gaitas escocesas, música psicodélica, etc... Tudo lançado pela primeira vez. Nunca tínhamos ouvido nada semelhante antes e a cada novo disco as surpresas sempre se sucediam.
Como então nós aceitamos tantos arranjos orquestrais, tanta variedade de ritmos regionais a partir de uma fase musical prioritariamente de três acordes, uma bateria, um baixo, duas guitarras e ás vezes um piano ou órgão?
Desde crianças aqui no Brasil, nós fomos acostumados a ouvir não só os grandes sucessos estrangeiros vindos prioritariamente dos EEUU, como também da Itália e França...
Nossos pais ouviam as grandes orquestras da era do swing, associadas ao jazz como Dizzy Gillespie, Count Basie, Duke Ellington, Louis Armstrong, Glenn Miller, Benny Goodman, Frank Sinatra, etc e nós lá ouvindo isso tudo, nas vitrolas, nas rádios...
E os grandes musicais do cinema? Cantando na Chuva, Amor Sublime Amor (West Side Story), O Mágico de Oz, A Noviça Rebelde, Sinfonia em Paris, Candelabro Italiano, Fantasia de Walt Disney (com clássicos)...
A variedade era grande. Éramos jovens, gostávamos da nossa música rebelde, mas ouvimos uma grande variedade de melodias, harmonias e ritmos...
Antes dos Beatles, nas nossas festinhas “hi-fi” , cada um levava o álbum que mais gostava de ouvir e dançar e tinha lá: Elza Soares, Miltinho, Waldyr Calmon, Elis Regina e Jair Rodrigues, Doris Monteiro, Ed Lincoln, Steve Bernard, Agostinho dos Santos, Tito Madi etc., misturados com Ray Conniff, Mantovani, Bert Kampfert, Henry Mancini, Neil Sedaka, The Ventures, Little Richard, Pat Boone, Chubby Checker, Dee Dee Sharp, Bobby Rydel, Bobby Darin... (e pouco depois Beatles, Trini Lopes, Rita Pavone etc..)
Tinha sambalanço, mpb, rock, twist, hully gully...
Eu me lembro bem dos discos clássicos que tínhamos em casa. Tinha Bethoven, Chopin, Tchaikovsky... E é este especialmente que me marcou. Eu tinha um vinil da Sinfônica de Londres executando a “Overture Solene de 1812” que eu adorava ( no mesmo Lp ainda tinha “Romeu e Julieta” e “Cavalaria Rusticana”). Um amigo me explicou que a Overture se tratava da história da derrota do Napoleão na Rússia e como Tchaikovsky mostrava as batalhas através da música. Uma simples música regional russa, porque ainda não havia o hino oficial da Rússia, versus a Marselhesa representando a França. Resumindo: a musiquinha regional vai crescendo até tomar conta da belíssima Marselhesa. Tiros de canhão marcando as partes fortes e o decrescendo final marcando a derrota da Marselhesa de Napoleão...
Pois é..., assim como eu, uma geração inteira estava ouvindo clássicos também.
Pode até parecer que não ao mais distraído, mas tudo isso estava contido no repertório dos discos dos Beatles. Repare por exemplo nas cordas de “Eleanore Rigby”, ou no cravo Bachiano de “In My Life”, ou na semelhança estrutural de “A Day In Life” com a própria “Overture de 1812” de Tchaikovsky... Loas muitas vezes a Sir George Martin, de formação clássica que emprestou muito do seu talento aos arranjos dos Beatles.
Os Beatles do rock leve e pesado, do romântico, do psicodélico, da bateria em cima do nosso baião e até bossa nova... (ouça “No Reply”). Por força da necessidade de se renovarem, eles levaram as suas pesquisas musicais aos píncaros do inimaginável. Foram incansáveis pesquisando, compondo e produzindo cada novo arranjo. Tudo para ir de encontro à cultura de cada país, exemplo bem evidente em “Michelle” e “All You Need Is Love” diretas para os fãns franceses.
Sacou? A nossa geração ouviu direta ou indiretamente muita música boa. Não ficamos limitados somente aos sucessos radiofônicos da nossa época. Até sem querer, meio que “de tabela”, crescemos ouvindo de tudo, independente do nível de formação musical, didática ou não.
Alguns mais céticos dirão que fomos também vítimas de um marketing excepcional. Neste cenário as descobertas foram simultâneas e de acordo com a evolução artística da banda...
Mas a força do Jazz, Blues, Swing, Rock, Clássicos, Regionais, etc, que já nos impregnava, somados e multiplicados como numa grande equação, resultaram na Beatlemania! Porque houve esse momento propício para aceitação do que eles tocavam e cantavam. E depois que conhecemos aqueles vocais com guitarras, bateria e baixo, nada mais voltou a ser como antes.
Para se entender Beatles, tem que voltar atrás e dar uma espiada nos elementos que propiciaram o seu universo musical.
Está tudo lá. É só ouvir analiticamente cada detalhe. Nada aconteceu por acaso...

segunda-feira, 1 de março de 2010

ALEGRIA - ELBA RAMALHO - Meu primeiro disco de ouro e platina foi relançado!


Resenha de série de reedições em CDTítulo: Elba - 30 Anos de CarreiraArtista: Elba Ramalho Gravadora: Universal Music


Alegria (1982)


Produzido por Aramis Barros, com direção artística de Mazzola, Alegria foi o álbum em que o repertório de Elba começou a ser embalado em formato pop sem perder o acento regional que ainda hoje situa a intérprete paraibana na cena musical brasileira. No embalo do sucesso de Bate Coração, o disco propagou outro tema da autora desse xote, Cecéu. Amor com Café também obteve bom desempenho nas paradas. Alegria trouxe músicas melhores de Lula Queiroga (Essa Alegria - Caboclinhos), Alceu Valença (Chego Já, frevo pouco conhecido do compositor pernambucano), Vital Farias (Sete Cantigas para Voar) e Geraldo Azevedo (Menina do Lido, gravada por Elba em dueto com o autor). Detalhe: Jackson do Pandeiro (1919 - 1982) fez para Elba (em parceria com Kaká do Asfalto) a arretada No Som da Sanfona e ainda tocou pandeiro na faixa. Mas Jackson quase não teve tempo de testemunhar o sucesso da música nos forrós, pois morreu em 10 de julho daquele 1982, ano - apesar dessa perda - alegre para Elba Ramalho, cujo sotaque de sua voz, inicialmente carregado, começava a ser suavizado para se enquadrar no padrão pop. Mas o fato é que sua voz ainda ganharia mais corpo e densidade ao longo dos anos 90.

RAZÃO E EMOÇÃO.

Há alguns anos eu venho chamando a atenção para o excesso de zelo técnico em detrimento do básico: maior atenção na troca de emoções entre o interprete e o ouvinte... É certo que os recursos de gravações aumentaram muito a facilidade de se registrar com muita perfeição as performances de músicos e artistas. Ritmo, afinação, ambientes..., tudo hoje pode ser tecnicamente corrigido, deixando uma certa aparente perfeição na produção de maneira geral... Mas e a emoção? Como corrigir o que emite o coração do artista?
Os objetivos da música popular vem cada vez mais se “afunilando” para um só fim: a dança, o baile... Antes tínhamos quatro elementos importantes: letra, melodia, harmonia e ritmo... Aparentemente isto hoje está cada vez mais resumido em um só elemento: o ritmo.
Vejam os exemplos da tecno, ou em outra ponta o axé ou até o pagode moderno ou o novo forró, ou “calipso” (???)... Qual a importância de uma sequencia harmônica criativa ou poesia nestes casos...? Tudo bem, faz parte e vale tudo diante da aprovação da grande maioria da população e pela alegria evidente da galera, afinal “a voz do povo é a voz de Deus”... Mas haja fé cara!...
Tudo poderia conviver na execução pública, mas apesar dos esforços técnicos para chegarmos a excelentes resultados com gravações estéreo, digitais, 5.1..., 7.1,... autorações em Blue Ray etc..., aparentemente a emoção está voltando ao sistema mono... Ou melhor, o que era para atingir também mentes e corações, cada vez mais só atinge os pés, os quadris ou outras partes do corpo mais em evidência atualmente. Gravações perfeitíssimas de graves, médios e agudos, transparência na superposição de instrumentos, aspecto sonoro de audição das mixagens, ritmos que não mudam de andamento do começo ao fim... vocais afinadíssimos, tudo cada vez mais perfeito... Parabéns engenheiros e técnicos, mas e a emoção srs produtores musicais e srs do marketing da música?... Até que ponto tanto apuro técnico chega a ter alguma utilidade neste cenário do nosso mercado de música atualmente?
Sem puritanismo ou qualquer tipo de preconceito gente, mas e o resto? Quer dizer que o povão agora só se interessa pelo bumbo? Tudo bem, graves são emoção, mas nem precisa mais de harmonia? Pra que versos se basta então gritar: “pulando! , agora pra frente!, pra trás!, pro lado!, pro outro!”...?
Onde está a alma do artista? Cadê o conteúdo e a E-MO-ÇÃO? O artista então virou uma espécie de "interprete-executivo-do-marketing-musical"?
“Eu quero uma casa no campo...” Me façam dançar, mas me façam também rir, pensar e até chorar... que tal?
A tecnologia pode ser criativa para passar emoções... mas a função dos plug ins e periféricos não pode ser exclusivamente criar uma bela moldura para um quadro vazio, sem cores, sombras e contrastes...
Pesquisas e estatísticas constatam fatos e deveriam servir para novas estratégias para garantir números, mas não tem criado novas situações que mudem o mercado em geral e apenas reafirmam o que todo mundo já está sabendo. Um círculo perni-vicioso...
Pra que guardar o que vai se repetir infinitamente? Basta só ouvir e descartar porque logo virá algo igual ou bem semelhante. Porque produtos de antigos artistas são guardados para sempre e passados de gerações a gerações e os novos são sumariamente descartados? Não são tecnologicamente e mercadologicamente mais perfeitos?
“Eh, ôô, vida de gado, Povo marcado, Povo feliz...” Como gostar de algo que eu não conheço? Como saber se o sabor é bom sem sentir na boca o gosto do tempero?
Qual a força psicológica por trás de tudo isso que não retém uma arte nos corações e mentes das pessoas? Apenas e tão-somente a facilidade dos downloads e piratataria?
Se é certo que “existem mais segredos entre o céu e a terra do que pode supor a nossa vã filosofia”, seria bom que atentassem um pouco mais para a alta sensibilidade ainda desconhecida do nosso organismo, que rege esta eterna luta entre a razão e a emoção...

O CONCEITO DE COVER...


Assim como hoje, as bandas dos anos 60 também começavam se espelhando em grupos ou artistas de grande sucesso mundial da época.
Não havia ainda este conceito de "cover" e muito menos o preconceito (eu diria até certo ranço de alguns setores...) com este tipo de expressão artística, talvez até porque todos começavam assim... Apesar da imensa falta de recursos, bons instrumentos, pedais de efeitos, teclados, boa microfonação, caixas de retorno, etc, etc, etc..., a gente ia se virando como dava e o máximo que conseguíamos era ser considerado um conjunto que "tocava igualzinho", e isso já repercutia bem e o boca a boca e aparições na TV acabavam por levar grandes massas aos shows... Daí para a sua própria gravação era um pulo!
Para se fazer um "teste" então, não existia o recurso de uma boa gravação caseira ("demo" é coisa bem mais recente...). Quem quisesse mostrar o seu trabalho teria que contratar um grande estúdio, ou cavar um teste numa grande gravadora... Daí o grande "mico" dos Beatles com aquele "cover" de "Besame Mucho" gravado nos estúdios da Deca meio que às pressas. CHA CHA BOOM!! Com todo respeito...
Enfim, desde que o mundo é mundo, os jovens têm se espelhado nos seus ídolos, ou interpretado grandes sucessos, e daí, esporadicamente, despontam grandes carreiras artísticas.
João Gilberto por exemplo gerou Caetano e o estilo de toda uma geração, inclusive Roberto Carlos, que se influenciou por Elvis, Beatles e "Rock e Cia."... Raul Seixas no Elvis, Rita e Os Mutantes nos Beatles... Tim Maia na Soul Music... E por aí vai...
Nós, fãs dos Beatles, somos por natureza muito ciumentos com a obra dos nossos queridos deuses... Somos até bem críticos com qualquer cover dos Beatles..
Todo cuidado é pouco, porque um trabalho como este, já entra em campo perdendo de 2 x 0, por conta do ranço e preconceito da crítica e de organizações que detém o mercado de disco e da mídia, que ainda o ignoram e o consideram uma sub forma de expressão...
O mais importante nisso tudo é ser honesto e sincero e fazer o que manda o coração com dedicação e alegria. Não é fácil não. A responsabilidade é muito grande, mas a resposta positiva do público com certeza virá.
Aproveitem bem, ouçam muito e tudo o que os seus ídolos fazem e tem pra dizer, porque com certeza nada será tão bom quanto o início de tudo na sua carreira.Assim como nós, no descontraído final dos anos 60, sem compromissos com nada, a não ser a nossa imensa vontade de tocar e cantar as coisas que nós mais gostávamos de ouvir: Beatles por exemplo... Simples, assim...


domingo, 28 de fevereiro de 2010

O PLANETA LAPA FESTIVAL


Hoje os recursos são imensos para se gravar e lançar um cd, mas a pergunta que corre é: como chegar á grande mídia?

Mercado em baixa, Cd virou peça promocional. Rádio, Tv e grande mídia só com grana.

Ring Tones, true tones, só depois que está bombando na grande mídia...

Internet é divulgação rápida e fácil, mas limitada. Um sucesso hoje tem a duração exata de uma música...: três min e plá... Baixa, ouve e depois esquece. Descarta e joga fora.

Você se lembra de todos os álbuns que tem no seu computador?

Estes artistas estão recebendo seus direitos de venda e execução pública?

Quando foi a última vez que você comprou um Cd legal?

Só fica o palco.

Daí o PLANETA LAPA FESTIVAL.

Festivais estão pipocando aos montes em várias casas de show por todo o país. Iniciativas quase sempre louváveis, porque a princípio são uma janela para o mundo artístico, uma oportunidade para o novo talento. Mas na grande maioria tudo fica limitado apenas ao palco e a bilheteria da casa. E só.

O grande diferencial porém será poder se apresentar diretamente para expoentes como os que estão compondo o seleto corpo de jurados que conseguimos reunir.

É a partir desta experiência, o conhecimento comprovado de anos no mundo da música e o faro refinado para pinçar novos talentos, que o PLANETA LAPA FESTIVAL está norteando seus objetivos.

Um prêmio, a participação no Cd da Kabala Discos e a grande chance de estar o Rio Rock & Blues Club frente a frente com os grandes nomes do mercado de discos e show business.

Contato imediato com as lendas que fizeram a história da música popular brasileira nos últimos anos...

Sinceramente, me empolga a esta altura da vida poder estar entre tantos talentos novos e tarimbados e poder ver de perto a efervecência da criação artística “in loco”. A troca de sensações, opiniões e tendências que vão determinar o futuro da nossa música.

Estava faltando esta porta maravilhosa e o cenário não podia ser mais oportuno. A Lapa no Rio de Janeiro, berço da nossa música, vai trazer á luz mais uma vez uma nova constelação de novos talentos e abrir caminho para tantos mais que virão a seguir.

É um novo mundo que se descortina. É o Planeta Lapa Festival.